sábado, 16 de agosto de 2025

Viagem ao Borborema (cordel)

Buíque tinha a aparência de um corpo aleijado: o largo da Feira formava o tronco, a rua da Pedra e a rua da Palha serviam de pernas, uma quase estirada, a outra curvada, dando um passo, galgando um monte; a rua da Cruz, onde ficava o cemitério velho, constituía o braço único, levantado; e a cabeça era a igreja, de torre fina, povoada de corujas.

 

(...) porque nos redemoinhos que açoitavam a catinga pelada havia provavelmente um ser furioso, soprando, assobiando, torcendo paus e rebentando galhos. Essa criatura de sonho e bagunça, um cavalo de asas, não me causou espanto.  

Graciliano Ramos, Infância 




Como um dia prometi
Fui-me embora pro sertão
Onde a vida é austera
Mas não foi de supetão
Fui até o Borborema
Onde o vento é oração.

Levo pouco na mochila
Pois escolho a liberdade
Quero tempo pra viver
Com vigor e sobriedade
Carrego só o preciso
Para andar com lealdade.

Eu corro por essa serra
Sem pressa ou temor
O que ponho nesses versos
É fruto do bom humor
O cordel cruza o tempo
Deixo aqui o meu clamor.

***

Começo por Alagoas
Que já foi Capitania
Junto à Pernambuco outrora
Conquistou soberania
Quando a Coroa puniu
Quem República queria.

Bem depois do litoral,
Onde sobem altos prédios
Fica União dos Palmares
Como um forte intermédio
Cidade menor que a lenda
Que venceu mil sacrilégios.

No Brasil, muitos quilombos
Conseguiram resistir
Mas nenhum foi tão valente
Nem tão duro de cair
Quanto o dos Palmares livres
Que descrevo a seguir.

Foi na Serra da Barriga
Ventre antigo de pedra gasta
Isolada dos engenhos
Prova da história nefasta
De negros escravizados
Que os grilhões já não arrastam.
 
Em lugar de muita mata
Onde o branco não pisava
Cresciam muitas palmeiras
Entre o mato e serra brava
Seus frutos e sua palha
O quilombo alimentava.

Quilombo vem do Bantu,
Quer dizer acampamento
O termo exato é Mucambo,
Refúgio em movimento
Mas virou sinônimo forte
De união e pertencimento.

Por doze grandes mucambos
Palmares foi formado.
O maior deste país,
Quase um Estado alçado.
Teve vinte mil pessoas,
No Nordeste assentado.

Ganga Zumba era então
Um líder muito querido
Mas um trato mal pensado
Com os portugueses cumprido
Foi pior que traição:
Foi um passo mal medido.

Esse combinado dizia:
Quem dali fosse nascido
Já seria homem livre
Mas o negro foragido
Era entregue aos senhores,
Mesmo tendo ali abrigo.

Um novo líder assim
Foi pelo povo aclamado
Homem de pele retinta
Por seus iguais respeitado
Zumbi dos Palmares rei
Resistir foi seu legado.

Zumbi nasceu em Palmares
Aos seis anos virou Francisco
Batizado como cristão
Sua vida tinha menos risco
Sobrinho de Ganga Zumba
Se tornou guerreiro mítico.

Zumbi, tal qual o príncipe,
Tinha o sangue em ebulição,
Ao ver seu povo vendido
Por acordo e traição.
Não vingava um só destino,
Mas lutava a nação.

Com o branco, não deu acordo
Liberdade é valentia
Negro nunca se dobrava
Nem fazia parceria
Zumbi voltou pro Quilombo
E a revolta principia.

Para derrotar Palmares,
Bandeirantes traiçoeiros,
Pela Coroa recrutados,
Feitos nobres cavaleiros,
Eram os verdadeiros selvagens
Que deram golpe derradeiro.

Zumbi foi apunhalado
Mas lutou bravamente
Sua cabeça foi cortada
E levada de presente
Para servir como exemplo
Mesmo sendo ele inocente.

Objetivo declarado
Era provar, por A mais B
Que Zumbi não era eterno,
Mas taí pra quem quer ver:
O nome de Zumbi vive
Em quem luta pra vencer.

Eu me pergunto insistente
Se a humanidade tem cura
Quando esconde os seus heróis
Sob o véu da amargura
Mas Zumbi segue presente
Na memória que perdura.

***

De Palmares me despedi
Com respeito e reverência
Mas o chão do sertão vasto
Tem mais que resistência
Tem pedra, rio e silêncio
Que falam com inteligência.

Fui então ao Catimbau
Na cidade de Buíque
Entre agreste e sertão
Com olhar que multiplique
Essa terra de belezas
Muito além do xique-xique.

Parece coisa de filme
Do tipo de Hollywood
Mas com molho brasileiro
De gente de atitude
No Catimbau cada cena
É poesia em plenitude.

Vamos falar da cidade
Que é berço de literatura,
Inspirou Graciliano
Na Infância, rija e dura.
Denunciou a pobreza
Com palavra sem censura.

Sobre Buíque disse o autor:
Tem aparência aleijada
Seu tronco era largo e curvo,
Com a espinha encurvada.
Duas ruas eram as pernas,
Uma delas estirada.

Mais acima da cidade,
Nos agudos da serra fria,
Surge o Vale encantado,
Feito sonho ou fantasia
Tem pintura nas pedras
E uma bruma de magia.

Por inteira na Caatinga,
A floresta esbranquiçada
Quando chove fica verde
E esclarece a madrugada
É Brasil em sua essência,
Parte de qualquer jornada.

Nos tempos antes de Cristo
Por aqui já tinha gente,
Um povo que a pedra guarda
De maneira permanente
Com tinta na parede bruta,
Revela um grito latente.

O vermelho a reluzir,
Como sangue sobre a rocha
Uma arte geométrica
Das cavernas desabrocha
Em morro alto e pedra nua
Vive o tempo que arrocha.
 
***

Do bando de Lampião
Dezoito vêm dessa terra
O massacre de Angico
A maior de todas guerras
À beira do São Francisco
Foi ao sul algumas léguas.

Quando o bando derrotado,
Com a vida a reconstruir
Sem o líder carismático,
Qual melhor caminho seguir?
Onze chegaram à Buíque
Que acolheu sem reprimir.

Dentre os sobreviventes
Um de nome Candeeiro
Com coragem se armou
Contra um destino certeiro
Lampião foi sua escola
Fez-se bravo cangaceiro.

A história de Candeeiro
No sertão ainda soa
Nunca foi um trapaceiro
Era um pássaro que voa
Só queria sobreviver
Da sina que não perdoa.

Enxergava na distância
Mesmo em noite de breu
Tinha o faro e a esperteza
De quem nunca se perdeu
Candeeiro era a chama
Que do cangaço nasceu.

Nem a lua minguante
Conseguia lhe atrasar  
Andava firme e seguro
Sabendo se camuflar
Tinha o dom de perceber
O perigo a espreitar.

Depois deixou Pernambuco
Pra travar nova missão
Foi soldado nas seringas
Lá pros lados do Acre, então
Na batalha contra a fome
A borracha foi seu pão.

Faleceu lá em Arcoverde  
Com noventa e nove anos  
Foi o último cangaceiro  
Dos que foram veteranos  
Apagou-se a lamparina  
Que alumia os mais humanos.

***

Apresento a trajetória
De outro bravo cangaceiro
Jararaca é sua glória
Homem duro e justiceiro
Santo vivo no sertão 
Mais tenaz que um facheiro.

Nasceu também em Buíque,
Em Mossoró consagrou-se
Contra fazendeiros ricos
O seu rifle levantou-se
Mas de forma violenta
O destino seu fim trouxe.

Foi vítima de autoridade
Que abusou de seu poder
Cavou a própria cova
Sem poder se defender
Enterrado ainda vivo
No suplício até morrer.

No leito de despedida
Pediu perdão ao Senhor
Deixou a vida bandida
Abraçando o Redentor
Via-crúcis sertaneja
O seu fim foi sofredor.

Seu túmulo é destino
De romeiro e procissão
Milagres vêm do divino
Assim conta a tradição
Quando Dia de Finados
É o mais visto do sertão.

***

No Brasil se costuma crer
Que somos pessoas cordiais
Mas quanto mais eu ando,
Mais vejo histórias brutais
Começou lá com Zumbi
E segue até os dias atuais.

O Catimbau virou Parque
Com sessenta mil hectares
A terra virou do Estado
Mas se tu bem me escutares
Verás que já havia gente
Ostentando seus cocares.

Com a identidade roubada,
Muitos já não se entendiam
Se achavam pardos, caboclos,
Mas indígenas já seriam
Na defesa de suas terras,
Suas raízes descobriram.

Se há tanto tempo habitada
É porque a terra é boa
Isso gerou a cobiça
De quem da justiça destoa
Certos fazendeiros querem
Reinar com uma coroa.

O povo Kapinawá
Precisou se defender
Uma terra a demarcar
Os grileiros por vencer
Onde colocar a cerca
Pra seu direito valer?

Já os grileiros se juntavam
Com jagunço e delegado,
Falsificavam papéis
Num cartório combinado
Transformavam a mentira
Num direito registrado.

Ali a demarcação
Não garante proteção,
Pois a terra que sobrou
Foi vendida em traição
Quem ainda nela resiste
Sofre assédio e opressão.

***

Como diz Luiz Gonzaga,
A vida do viajante
Precisa de boas lembranças
E amigos bem marcantes.
Peguei doença de estrada,
Com o peito flamejante.

Uma viagem que se preze
Pelo Nordeste a percorrer
Tem que fazer um desvio
Pro Velho Chico conhecer
Rio que mesmo na seca
Faz a vida florescer.

Vindo de Minas Gerais
Atravessa a Bahia
Em Remanso muda a rota
Pro oceano ele se vira
Vem pra desaguar no mar
Em Piaçabuçu termina.

Entre Alagoas e Sergipe
O rio se encontra ao mar.
Cercado por piaçavas,
Palmeiras a balançar.
Beleza que Pero Vaz
Em suas cartas fez brilhar.

Desse lado do Ocidente
Que os ingleses desconhecem,
Eu conheci o John Lennon,
Barqueiro que tudo esclarece
Mostrando a história da terra
E das dunas que prevalecem.

Com olhar triste ele diz:
"O rio está salgado"
O palmeiral se torna mangue,
Os surubins, enxugados
O mar empurrou com força
Um rio bem castigado.

De um antigo povoado
Só resta ainda o farol.
Ali mais de cem famílias
Perderam tudo, sem dó.
As pescas no rio doce
Já não enchem mais anzol.

***

O que aprendi no caminho
Foi mais que história e chão
Cada passo me ensinou
Com coragem e coração
O sertão guarda segredos
Que ensinam a lição.

Andar por esse país
É buscar o próprio alento
Nos rios, serras e matas
No vento e no firmamento
Talvez um dia eu descanse
Com alegria e acalento.


Alto da Serra da Barriga, União dos Palmares


Centro de União dos Palmares




Povoado Vale do Catimbau, município de Buíque






Museu em Buíque



Pinturas Rupestres, sítio Alcobaça



Piaçabuçu, foz do São Francisco





sábado, 2 de agosto de 2025

Islândia: notas e roteiro (Ring Road de Campervan)

Introdução


Passando por praticamente todos os lugares acessíveis na Islândia sem veículos 4x4, a Rota de Circum-navegação (Rota 1, Hringvegur ou Ring Road) é, por definição, uma estrada épica. São 1340 km que contornam o gelado e selvagem interior do país - uma ilha vulcânica pouco povoada, localizada em uma das regiões mais isoladas do planeta. Ao longo do caminho, encontram-se belezas naturais, história, cultura, campos de lava, gêiseres, glaciares, vulcões, inúmeras cachoeiras e banhos termais. Dirigi-la de ponta a ponta, sem paradas, levaria cerca de 16 horas. Com alguns pequenos desvios, é possível acessar regiões ainda mais profundas e cênicas da Islândia.

Viajar pela Islândia no inverno ou no verão são experiências completamente diferentes, mas igualmente fascinantes. A viagem descrita neste roteiro foi planejada para o início de setembro, buscando o melhor dos dois mundos: fugir das multidões e dos altos preços da alta temporada (junho a agosto), mas ainda aproveitar atrações de verão em funcionamento, dias mais longos e, com sorte, presenciar o espetáculo da aurora boreal, que costuma aparecer a partir de meados do mês nas altas latitudes.

Apesar de ser uma rota bastante popular e bem documentada, uma das maiores dificuldades para quem planeja a viagem está nos nomes islandeses: difíceis de pronunciar, lembrar e muitas vezes também de escrever. Criar este roteiro foi, além de tudo, uma forma de registrar e organizar as informações de forma visual, facilitando a consulta durante a viagem. A Ring Road, uma estrada única com incontáveis atrações repousando sobre si, facilita o processo: o caminho é um só, basta decidir se o sentido será o horário ou anti-horário. A maioria dos viajantes opta pelo sentido anti-horário, mas a verdade é que ambos oferecem paisagens igualmente deslumbrantes. Como esta viagem será no final do verão, a escolha foi fazer o percurso no sentido horário, começando pelo Norte - onde as temperaturas caem mais rápido - e deixando o Sul, mais ameno, para os últimos dias.

Este roteiro não tem por finalidade ser seguido à risca. A intenção foi reunir as principais atrações para consulta e os locais de pernoite por dia, sem pressão para percorrer tudo. Pelo contrário, a escolha por viajar de campervan, isto é, um veículo adaptado com cama e cozinha, foi justamente para ter flexibilidade total no itinerário, podendo acelerar ou desacelerar conforme o ritmo da viagem. Além disso, como as opções de hospedagem em regiões mais remotas da Islândia são limitadas e costumam se esgotar rapidamente, dormir no próprio veículo torna-se não só prático, mas muitas vezes a melhor alternativa.

As atrações foram listadas de forma a oferecer opções suficientes, permitindo cortes e alterações sem que se falte o que fazer. Ter um roteiro-base também reduz as decisões a serem tomadas no caminho, permitindo mais tempo para simplesmente aproveitar a estrada e a experiência. Para campistas de primeira viagem como eu, a campervan já traz desafios suficientes em termos de conforto, preparo de refeições e montagem do acampamento - quanto mais prático for o planejamento, melhor.

Por fim, a criação do roteiro foi facilitada pela ampla rede de campings espalhados pelo país. A maioria deles pode ser acessada sem necessidade de reserva, bastando chegar e estacionar. Optamos pelo Camping Card, que, por um preço fixo, permite pernoitar em dezenas de campings durante a temporada de verão. Isso ajudou a definir os pontos de parada, sempre priorizando os campings conveniados e próximos das principais atrações.

Atualização: depois de completar a viagem, adicionei, ao fim de cada dia, comentários sobre a minha experiência seguindo o roteiro proposto. Nessas notas compartilho cortes e inclusões no itinerário, ajustes feitos no caminho, descobertas inesperadas, dicas práticas e recomendações de restaurantes.

Dia 1

Atrações:
  • Centro de Reykjavic (bairro Miðborg):
    • Igreja Hallgrímskirkja: possível subir ao campanário e ver a cidade de cima (mais alta construção da cidade)
    • Harpa (auditório em frente ao mar)
  • Glymur (cachoeira mais alta da Islândia)
Notas e ajustes:
  • A cachoeira Glymur foi cortada do roteiro para que pudéssemos passar mais tempo em Reykjavic. Como a Islândia é repleta de cachoeiras, não havia motivo para correr e encaixar mais uma visita. Sem o desvio até Glymur, que requereria contornar o fiorde de Hvalfjörður, a viagem entre Reykjavic e Akranes passa de 115 km para apenas 50 km. O atalho se dá por um engenhoso túnel subterrâneo que atravessa o fiorde.
  • Aurora boreal: logo na primeira noite de acampamento fomos surpreendidos com a aurora boreal. Espontaneamente, enquanto nos preparávamos para dormir, nos juntamos aos outros campistas para admirar e fotografar o incrível fenômeno das luzes. Fiquei com a impressão que seria fácil ver aurora, mas ela custou a aparecer novamente ao longo da viagem.


Dia 2

Atrações:
  • Borgarnes
    • Uma das primeiras zonas de colonização na Islândia
    • Museu Settlement Center
    • Cenário das sagas do poeta guerreiro Egil Skallagrimsson
  • Snæfellsnes Peninsula
    • Parque Nacional Snæfellsjökull
    • Malarrif (centro de visitantes com mapas)
    • Roteiro nessa ordem pela Rota 574: Malarrif, Vatnshellir Caverna de Lava (apenas com guia), Djúpalónssandur (praia de areia negra), Saxhóll Crater (campos de lava), Öndverðarnesviti (ponta da península), pode-se avistar baleia, Ólafsvík
Notas e ajustes:
  • Há um bom café/restaurante em uma localização perfeita do itinerário, onde recomendaria uma parada para almoço. Junto ao Hotel Snæfellsnes, ele fica no início da península, por onde se passa mais ou menos na hora de almoço ao sair de Akranes. A passagem pela península, visitando todos os pontos, é longa. Estar bem alimentado foi importante. Link do Google Maps.
  • Como os restaurantes na Islândia costumam ser caros, pedir sopa se mostrou uma ótima estratégia: nutritiva, farta e reconfortante diante do clima. Outra solução que funcionou bem foi dividir um prato entre duas pessoas, já que as porções são generosas.
Zoom na Snæfellsnes Peninsula


Dia 3

Ferry Baldur:

Atrações:
  • Antes do ferry:
    • Kirkjufell (montanha com cachoeiras)
    • Stykkishólmur: maior cidade da região, casas coloridas e pitorescas. Há comércio de artesanato local.
  • Depois do ferry:
    • Dynjandi (cachoeira)
Notas e ajustes:
  • Kirkjufell é um dos cartões-postais mais fotografados da Islândia, em parte pela sua aparição em Game of Thrones. A paisagem é, sem dúvida, bonita, mas transmite um certo ar de "armadilha para turistas": a infinidade de fotos em livros e na internet costuma torná-la mais impressionante do que na realidade. Dica prática: evite o estacionamento pago do parque. Há um gratuito um pouco mais adiante, a poucos minutos de caminhada.
  • A cidade de onde parte o ferry, Stykkishólmur, é bem agradável. Esperamos o ferry em um aconchegante café chamado Sjávarborg (Link do Google Maps). Ali, como em praticamente todos os cafés da Islândia, serve-se café filtrado, disponível em garrafas térmicas. O cliente recebe uma caneca e pode se servir de café à vontade. O preço é cerca de 5€.
  • Eu adorei a experiência de ir aos Westfjords de ferry. Quando o seu meio de transporte e local de pernoite é uma van, poder seguir a viagem fora dela me pareceu um luxo. O carro fica no convés, e os passageiros se encaminham para a parte de cima, onde há mesas  com sofás, uma cafeteria e área externa. A travessia dura cerca de 2h e as vistas são bonitas. Lembre-se de levar livros, câmera, carregadores, fone de ouvido, lanche e tudo o que for precisar do carro, pois a garagem é trancada depois que o ferry parte.
  • A alternativa ao ferry seria seguir pela estrada por 290 km (em torno de 4h).
  • Há um bom restaurante do outro lado do ferry chamado Flókalundur. Link do Google Maps.
  • Se tiver que escolher ir a uma única cachoeira na Islândia, diria que seria a de Dynjandi, a mais bonita em minha opinião.


Dia 4

Atrações:
  • Hólmavík (capital do folclore)
Notas e ajustes:
  • Bem no início do dia, incluímos uma parada em Ísafjörður, a maior cidade da região. Dentre outras coisas, há uma antiga livraria com muitos livros sobre a Islândia em inglês.
  • Nos Westfjords estão as estradas e paisagens mais lindas da Islândia, mas também os lugares mais inóspitos. Há restaurantes e mercados de forma esparsa, que aparecem em maior quantidade a partir do momento que se entra na Rota 1, praticamente no fim do dia. Se precisar comer, atente-se ao horário de fechamento dos restaurantes no caminho e evite deixar para fazê-lo muito tarde.
  • No caminho há uma cachoeira chamada Valagil. Ali havia uma pequena área de piquenique onde campistas preparavam um almoço. Há uma trilha de 2km até a cachoeira, mas já é possível admirar sua beleza desde o estacionamento.
  • Incluímos uma parada em Heydalur, uma pequena fazenda com hotel, águas termais, restaurante e área de camping. Quando chegamos, infelizmente, pelo horário, já não estavam servindo almoço, apenas sobremesas. Pagamos uma pequena taxa para usar a piscina e o banheiro do hotel. Há uma piscina "selvagem", um pequeno poço de água quente a céu aberto e piscinas térmicas. Além da experiência relaxante, vale destacar um aspecto prático: os vestiários e áreas de higiene das piscinas na Islândia costumam ser melhor equipados que os campings, que ora cobram chuveiros à parte, ora sequer oferecem banho.
  • É provavelmente a melhor região da Islândia para avistar animais:
    • Ovelhas: muito comuns na paisagem, nessa região muitas vezes ficam na beira da estrada. Há que ter cuidado na direção.
    • Raposa do Ártico: há um centro de preservação da espécie, em Eyrardalur. Link do Google Maps.
    • Baleias: com um olhar atento e um pouco de sorte, pode ser possível ver algumas nadando nos fiordes. É mais fácil identificá-las quando elas saem para respirar e borrifam água de seus espiráculos.
    • Focas: há um ponto na estrada onde muitas focas ficam descansando. Praticamente certeza de avistá-las. Link do Google Maps.


Dia 5

Atrações:

  • Akureyri (segunda maior cidade da Islândia - "capital do Norte")
  • Região boa para observação de Aurora Boreal
  • Godafoss (cachoeira)
  • Lago Myvatn (banho termal)
  • Hverir (zona geotermal muito ativa)
Se sobrar tempo:
  • Fosslaug
Notas e ajustes:
  • Akureyri, a segunda maior cidade da Islândia, não é tão encantadora quanto Reykjavic, mas valeu à pena passar um tempo ali. O ponto alto foi tomar um café na Kaffi Ilmur, na construção mais antiga da cidade - um belo casarão.
  • Na região de Akureyri encontra-se o único pedágio de toda a Ring Road, localizado em um túnel. Existe, porém, uma rota alternativa que o contorna: o trajeto acrescenta apenas cerca de 10 minutos à viagem e ainda oferece paisagens muito bonitas. A recomendação que recebi foi optar pelo túnel apenas em caso de mau tempo.
  • Passamos em Hverir, mas não fizemos a visitação ao gêiser. Há um estacionamento pago, e já estava tarde. Da estrada já é possível ver a impressionante fumaça que emana daquele solo.
  • Optamos por dedicar mais tempo ao Lago Myvatn, considerado a alternativa à famosa Blue Lagoon, com a vantagem de custar cerca da metade do preço. Embora os anúncios indiquem horário de fechamento às 22h, na recepção nos informaram que o local permanece aberto 24 horas por dia. Ficamos até o dia escurecer.


Dia 6

Atrações:
  • Passeio de avistamento de baleias: 13:15 em Húsavík
  • Pela manhã: GeoSea (spa termal) ou piscina pública de Húsavík
  • Dettifoss e Canion de Jökulsárgljúfur depois das baleias

Se sobrar tempo:

Notas e ajustes:
  • O passeio de avistamento de baleias acabou sendo um pouco frustrante. Vimos poucas baleias, todas da espécie baleia-de-bico-de-garrafa. A viagem durou cerca de 4 horas em um barco que balançava bastante, causando mal-estar em boa parte da tripulação. Dica importante: leve seus remédios contra enjoo ou compre-os antecipadamente em uma farmácia próxima à entrada do píer.


Dia 7

Atrações:

  • Egilsstaðir (principal cidade regional, comércio local)
  • Stokksnes (praia de areia negra)
Tours:
  • Desvio para Seyðisfjörður (história e arquitetura) - 27 km distante de Egilsstaðir pela Rota 93
Notas e ajustes:
  • A ida para Seyðisfjörður valeu à pena e foi o destaque do dia. A cidade é cênica, daquelas que dizem ter saído de um conto de fadas.
  • Em Egilsstaðir, recomendamos o café Tehúsið para uma parada. Link do Google Maps.
  • Pegamos mal tempo praticamente todo o dia. Havia muita neblina na Rota 93, que deixou a visibilidade das paisagens muito limitada. Por causa disso, acabamos também por não parar em Stokksnes.
  • Incluí de última hora uma parada em Stuðlagil, um cânion que parecia muito bonito pela foto. É um pequeno desvio de 16 km da Ring Road, mas acabei me distraindo, não colocando a parada no GPS, e perdendo a entrada. Quando me dei conta, já estava muito longe e não retornei.

Dia 8

Paradas:

  • Jökulsárlón (lago glacial)
  • Skaftafell (parque nacional, montanhas e glaciares)
    • Imprescindível: Cânion Fjaðrárgljúfur
    • Laki
  • Vik (areias de basalto negro, ponto cidade mais meridional da Islândia)
    • Vista panorâmica na igreja Vík í Mýrdal
  • Skógafoss
  • Seljalandsfoss (cachoeira em que se passa por baixo)
Tours:
Se sobrar tempo:

Notas e ajustes:

  • Dia também prejudicado pelo mal tempo. Não é viável parar em todas as atrações listadas em apenas um dia. Ou há que priorizar, ou dedicar ao menos dois dias ao sul.
  • Foi a região mais turística de toda a viagem. Chegam ônibus de excursão de Reykjavic e os lugares são mais cheios. Todos os estacionamentos são pagos.
  • Para visitar Skaftafell, reserve tempo: o parque possui uma rede extensa de trilhas que merece exploração.
  • O lago Jökulsárlón é incrível, com uma paisagem única na Ring Road: um lago glacial deságua no mar em uma praia de areia negra. Há passeios de barco, mas achamos que não valeria a pena pelo frio que fazia; apenas contemplando da terra firme a vista já é impressionante. Vimos focas nadando, o que tornou a experiência ainda mais especial.
  • Terminamos o dia em Vík, onde há opções de restaurantes e uma extensa praia de areia negra. Fomos na piscina pública da cidade. Não tivemos tempo de parar nas cachoeiras Skógafoss e Seljalandsfoss.
  • Nesse dia, pela segunda vez na viagem, vimos a aurora boreal no acampamento. Diferentemente do primeiro dia, o céu não parecia verde, mas havia uma imensa mancha branca. Com a lente da câmera foi possível ver melhor. Foram as únicas duas vezes na viagem que vimos a aurora.


Dia 9

Atrações:
  • Círculo Dourado (Golden Circle)
    • Parque Nacional de Þingvellir
    • Geysir e Gullfoss
    • Cratera Keriđ
  • Fim do dia em Reykjavic
Notas e ajustes:
  • Paramos no famoso restaurante e fazenda de tomate Fridheimar. Sem termos conseguindo fazer reserva, ainda que com duas semanas de antecedência, há uma área externa onde se senta por ordem de chegada. Chegamos cedo e conseguimos prontamente uma mesa. Por um preço único, pode-se servir de sopa e pão à vontade. A fazenda é muito bonita e é possível visitar a estufa de tomate. Apesar da experiência mais sofisticada, o que pagamos na refeição foi mais barato que em outros restaurantes mais ordinários da Islândia.
  • Do circuito clássico do Círculo Dourado, priorizamos o Parque Nacional de Þingvellir e Geysir, que seriam experiências mais diferentes em relação ao caminho que já havíamos feito até aqui. O restante, pensamos que seria muito para um só dia. Ainda aproveitamos mais umas horas em Reykjavic.
  • Há diversos estacionamentos que dão acesso ao Parque Nacional de Þingvellir. Uns são mais remotos e também mais baratos, podendo ser uma oportunidade de economizar algum dinheiro. Eu fui no principal, perto do centro de visitantes.


Dia 10

  • Resumo: Blue Lagoon 8h e devolver carro 12h

Atrações:

Notas e ajustes:
  • A essa altura, já não havia nem muito tempo, disposição ou orçamento para uma passagem rápida pela Blue Lagoon. A viagem até ali já havia sido muito rica. Também foi importante ter tempo para retirar todas as coisas da camper van com calma no momento da devolução.

Total: 2340 km + 60 km (ferry)


 

Camping Card

  • Site: https://utilegukortid.is/campingcard/?lang=en
  • Preço: €179
  • Funcionamento: Válido para 2 adultos e 4 crianças e uma tenda ou campervan. Pode ser usado por 28 noites a partir do dia em que os acampamentos estiverem abertos (meados de maio ou junho) até 15 de setembro.
  • Custos adicionais: Taxa de pernoite (400 ISK), determinadas comodidades como eletricidade, chuveiros e o uso de máquinas de lavar roupa.
  • Reservas: não é necessário, basta chegar e montar seu acampamento.
  • Descontos: parceria com os postos de combustível Olís e ÓB
    • 14 ISK de desconto por litro de combustível
    • 10% de desconto em alimentos e bebidas
    • 15% de desconto em produtos automotivos e gás de cozinha
    • Café por apenas 65 ISK



Utilitários

Aplicativos:

  • Parka (pagamento em estacionamentos e campings)
  • park4night (aplicativo colaborativo de lugares para acampar com campervan)

Sites:

Aluguel de campervan:

Alimentação e mercado: ideias de preparo para campervan


Café da manhã:
  • Ovos
  • Café da manhã instantâneo
  • Iogurte
  • Frutas
  • Pão
  • Queijo
  • Tapioca
  • Café
Almoço (on the go):
  • Sanduíches: manteiga, presunto, queijo, atum, salmon
  • Salada
Janta:
  • Macarrão
  • Vegetais: tomates-cereja, cogumelos, abobrinha etc.
  • Peixe grelhado
    • Salmão: um dos mais populares
  • Batata cozida
  • Churrasco (com churrasqueira de uso único)
    • Cordeiro é a carne mais popular
    • Hamburguer
    • Salada de batata ou repolho se encontra na seção de gelados dos supermercados
  • Hot dog:
    • Muito popular na Islândia, basta cozinhar as salsichas
  • Salada: alface, tomate, pepino, cenoura
Snacks:
  • Barrinha de proteína e energia
  • Castanhas
Bônus:
  • Levar cuscuzeira e flocão de milho na mala
  • Levar conjuntinho de panela de camping para complementar o da campervan
Itens de mercado:
  • Lenço umedecido
  • Toalhinha higiênica e de limpeza
  • Papel toalha
  • Álcool gel
  • Sabão e esponja para lavar louça

Aurora boreal


Configuração da câmera (Nikon D5000)
  • Equipamentos:
    • Lente grande-angular (ideal: 10–24mm)
    • Tripé
    • Timer automático para evitar trepidação
    • Modo Manual (M)
    • Bateria cheia (o frio consome a bateria mais rápido)
  • Foco:
    • Usar foco manual (MF)
    • Ajustar o foco para o infinito (∞) com precisão
    • Focar em uma estrela ou luz distante usando Live View + zoom digital
    • Ajustar até o ponto mais nítido e não mexer mais na focagem
  • Abertura (f/stop):
    • Usar a menor possível (f mais baixo)
    • Exemplo: f/2.8, f/3.5, f/4
    • Quanto menor o número, mais luz entra (fundamental para fotografia noturna)
  • Velocidade do obturador
    • Começar com exposições de 5 a 15 segundos
    • Evitar passar de 20s para não borrar as estrelas (efeito "star trail")
    • Auroras fracas/lentas: até 15s
    • Auroras fortes e rápidas: 5–8s
    • Quanto mais tempo de exposição, mais luz entra
  • ISO
    • Começar com ISO 1600 ou 3200
    • Subir para ISO 4000–6400 se estiver muito escuro (mas atenção ao ruído)
    • Um valor ISO mais alto torna o sensor mais sensível à luz, permitindo capturar imagens em condições de pouca luz, mas pode aumentar o ruído na imagem
  • Formato da imagem
    • Usar RAW (nunca JPEG)
    • Mais adequado para tratamento digital posterior
  • Balanço de branco
    • Começar com “Luz do dia” (Daylight) ou 4000K–5000K
    • Possível corrigir depois se estiver fotografando em RAW
  • Redução de ruído de longa exposição
    • Desativar se quiser economizar tempo entre fotos
    • A D5000 vai tirar uma segunda foto escura para subtrair ruído, o que dobra o tempo de cada clique